Eliana Bicudo vê com otimismo a possibilidade de tratamento com a combinação de bamlanivimabe e etesevimabe, da Lilly, e de casirivimabe e imdevimabe, da Roche. Os custos, ainda não revelados para o país, também vão definir se esses coquetéis pegarão por aqui, avalia ela, mas a utilidade no dia a dia já parece evidente.

 

— Agora mesmo estou cuidando de um senhor de 190 quilos com Covid. Se eu tivesse um anticorpo monoclonal hoje, eu já tinha aplicado nele, porque já sei que ele não vai evoluir bem e não tenho nada para impedir — conta a infectologista.

Ambos os coquetéis são indicados para o começo da doença. A combinação da Lilly, em um dos grupos avaliados na fase 3 dos estudos, com 769 pacientes de alto risco, de 12 anos ou mais, com Covid leve a moderada, reduziu os riscos de hospitalização e morte em 87%. Entre os que tomaram os medicamentos foram quatro eventos (de hospitalização ou morte), contra 15 entre os que tomaram placebo.

Já os produtos da Roche mostraram nos testes uma redução de 70% nas hospitalizações ou mortes, além de menor duração dos sintomas de 14 para dez dias. A fabricante recomenda o tratamento para "pacientes adultos e pediátricos (12 anos de idade ou mais), infectados pelo Sars-CoV-2 que não estão hospitalizados e possuem fatores de risco de progressão para a Covid-19 grave”, segundo a assessoria de imprensa da empresa no país.

Nos Estados Unidos, onde o coquetel da Roche ficou conhecido após ter sido usado no tratamento para Covid do então presidente Donald Trump, a farmacêutica, que é parceria do laboratório Regeneron nesse projeto, pleiteia agora ampliar sua aprovação de uso para a prevenção da infecção. Pessoas que moram com alguém com Covid poderiam se beneficiar, por exemplo.

Procurada pela reportagem, a Anvisa informou que os pedidos de uso emergencial dos dois coquetéis, tanto da Lilly quanto da Roche, seguem em análise. A agência tem o prazo de 30 dias para fazer a avaliação, contando a partir do momento em que seus técnicos considerem que as dúvidas técnicas foram sanadas. Por Giuliana de Toledo / O Globo