O circo

 

O circo de Pelanca foi o maior e o melhor Que compareceu na minha infância em Itanhém. Pelanca era dono do circo. E palhaço, mágico, Telepata, atirador de facas, cantor e ator. Na última apresentação do circo na cidade Encerrou o espetáculo com a encenação Do drama “O Ébrio”, de Vicente Celestino. Pelanca estraçalhou no papel principal. No último ato, interpretando a música título da peça Numa perfeita imitação da voz tenor do cantor, Quase matou a plateia de emoção. Cadeiras e arquibancadas de pé, aos prantos, Agradeceram com a mais demorada salva de palmas Que participei na minha vida. Depois invadiram palco e picadeiro para abraçar os atores. Tinha outro palhaço, o mais engraçado, Chamado Paçoquinha. Era quem fazia a propaganda do circo nas ruas. Subia nas pernas de pau E saía pela cidade seguido da meninada Contratada a troco de ingresso: – Hoje tem espetáculoooo? – Tem! Sim, senhor!! – Lá na rua do buracooo! – Tem! Sim, senhor!! Requebrava as cadeiras lá de cima e dizia cantando: – E arremeda o chinhenhém...! E a molecada respondia requebrando: – Chinhenhém, chinhenhém...!!! – A mulher do palhaço é um colosso! – Caiu da cama e quebrou o pescoço! Paçoquinha era casado com Elvira, Trapezista, bailarina e linda. Um monumento! Eles tinham um filho, Jason. Almoçava todos os dias lá em casa. Pelanca gostou de mim porque incentivei Jason a ir à escola comigo. Estávamos na idade do “ABC”. Professora Lurdinha, de manhã, na pública; E Dolinha, à tarde, na particular. Tinha minhas vantagens: Entrava de graça no circo todo dia. Assistia até os ensaios. ... Encurtando a conversa, Elvira conheceu e apaixonou-se por Carlos, Dono de uma loja de tecidos na Praça da Liberdade. Os dois namoravam às escondidas. O último, a saber, foi Paçoquinha... Numa madrugada, Carlos e Elvira Fugiram do circo e da loja. Dias depois o circo foi embora. Na esperança da volta de sua Elvira, Paçoquinha permaneceu na cidade. A cada minuto a desesperança aumentava. Bebia cachaça o dia inteiro Chorando sua tragédia. Jason, abraçado ao pai, também chorava. Quando as lágrimas secaram, Sem nenhuma notícia de Elvira, Foram embora. O circo os esperava. ... – E o palhaço, o que ééé??? – É ladrão de mulher!! Begão (jcsradvogado@yahoo.com.br) Outros textos

Notícia Postada em 03/05/2011 por: Begão
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