BAHIA
Jaques Wagner faz mais para quem menos precisa

 

Embora a propaganda oficial repita vezes sem conta que “o Governo da Bahia faz mais para quem mais precisa”, o governador Jaques Wagner doou ao Instituto Ayrton Senna os R$ 500 mil que recebeu da multinacional Procter & Gamble para tirar a barba que cultivava há 34 anos. Acontece que nesta operação beneficente Wagner fez mais para quem menos precisa. E isso não representa surpresa para quem conhece razoavelmente bem as ações do governo do estado. É louvável o trabalho que o Instituto Ayrton Senna tem feito nacionalmente na implementação de projetos educacionais para pessoas de baixa renda, mas trata-se de uma instituição autossustentável, que vive com o produto da arrecadação dos direitos de imagem do piloto e das marcas Senna, Senninha e Senninha Baby. São milhões de reais por ano. Além disso, o ídolo da Fórmula 1 deixou herança milionária para sua família. Portanto, o Instituto Ayrton Senna é uma instituição bem aquinhoada, ao contrário das inúmeras organizações beneficentes que vivem à míngua na Bahia, numa luta diária para obter recursos. Alguns são asilos de órfãos e idosos que, quase sempre, estão a reclamar da suspensão de repasses de recursos oficiais. Ogoverno do estado, inclusive, volta e meia, é acusado de reter verbas destinadas a essas instituições. Recentemente, o deputado Sargento Isidório (PSB) chorou no plenário da Assembleia Legislativa porque não encontrou apoio do secretário do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Carlos Brasileiro, para seu trabalho de tratamento de dependentes químicos. O parlamentar dirige a Fundação Dr. Jesus, responsável pelo atendimento de 1.200 pessoas, entre homens e mulheres viciados em drogas que buscam tratamento. O episódio que envolveu a venda da barba do líder esquerdista à multinacional norte-americana é emblemático. Mostra que a propaganda oficial diz uma coisa e as ações do governador petista revelam outra completamente oposta. Este é o resultado de uma política que dá atenção máxima ao marketing e cuidado mínimo às coisas do estado. A propaganda pode ser a alma do negócio, mas se não tiver relação consistente com a realidade o tiro pode sair pela culatra. Doar os recursos para uma instituição como o Instituto Ayrton Senna pode dar mais ibope do que se fosse para a Casa da Mãe Joana, mas peca por priorizar quem menos precisa. Wagner deveria lembrar da célebre frase do presidente norte-americano Abraham Lincoln: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”. Fonte: Redeflecha

Notícia Postada em 28/04/2011
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