ClauduArte Sá: de Itanhém para o mundo

 

A trajetória musical de ClauduArte Sá constitui um legado para a nossa MPB em virtude do alto nível técnico e estético alcançado por esse artista filho de Itanhém (BA) que escolheu viver nos States. A vida de ClauduArte foi construída de pequenas e grandes conquistas, em contato com as coisas itanheenses, os banhos no Água Preta, as peladas com a gurizada, a comunhão com a natureza, com os amigos e com os grandes nomes da MPB, como Tom Jobim, Gilberto Gil e Luiz Gonzaga. Ainda menino, ClauduArte começou a compor, a dedilhar as primeiras notas musicais, a experimentar o feitiço de Orfeu... De Itanhém para o mundo foi um pulo. ClauduArte morou alguns anos na cidade mineira de Nanuque, onde, além das braçadas no rio Mucuri, conheceu “a morena dos vales do Jequitinhonha e Mucuri”, com quem se casou e constituiu família. Depois, partiu para Vitória, a fim de cursar jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo, onde formou o grupo “Saveiros”, com o qual fez shows e participou de festivais universitários Brasil afora. Decidido a aperfeiçoar seus conhecimentos musicais, ei-lo estudando Violão Clássico, Harmonia e Contraponto no Conservatório Villa-Lobos, em Sampa, onde compôs “Praça da Sé”, obra-prima inspirada na chegada dos retirantes nordestinos à Pauliceia Desvairada, e “Memórias de Tropeiro”, suíte com três movimentos em homenagem aos tropeiros de sua cidade natal. O contato com o instrumentista Hermeto Pascoal pesou bastante na decisão do artista de se mudar para os States no final dos anos 80. Na terra do Tio Sam, em Boston, ele compôs e gravou o tema de um documentário sobre a floresta amazônica. Aí, formou o grupo “Brazilian Beat”, com o qual viajou pelos estados de Massachusetts, New York e New Jersey, sempre divulgando suas composições e o melhor da MPB. Em 1988, ClauduArte ingressou na “Berklee School of Music”, onde estudou harmonia e interpretação. Morou em Queens, em Nova York, e atuou no “Sounds of Brasil” com o BrazBeat Trio. Em 1993, o músico ganhou os festivais de música popular de Boston e New Jersey, com as canções “Galope Menino” e “Praça da Sé”, respectivamente. Em 2007, ele repetiu a façanha ficando em 1º lugar no Festival Brasil – Estados Unidos (etapa da Florida), com “Quitanda Brasileira”, um samba estilizado, de harmonia bem sofisticada. Atualmente, Sá reside com sua família na Florida, onde paparica a netinha Gaby, “que já nasceu poliglota / ao som da melhor bossa / de que se tem notícia”. Aí, o artista montou o próprio estúdio, onde produz seus discos e de outros músicos da região. Até agora, ClauduArte lançou os CDs “União de Forças” (ainda em São Paulo), “Brazilian Beat”, “South Beach in Bossa”, “Bossa Rural-I” e este “Bossa Rural-II”, que promete vôos mais ousados que o primeiro. Por fim, quero expressar a minha satisfação em escrever, na condição de parceiro, amigo e fã, esta breve apresentação sobre o trabalho do filho mais ilustre de Itanhém. Mais que isso, um artista de verdade que fez da arte um canto de amor, lucidez e autenticidade pela vida. A. Zarfeg (azarfeg@yahoo.com.br) Veja outros textos

Notícia Postada em 12/04/2011 por: A. Zarfeg
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