Elzo Bastos, artista plástico itanheense, está tendo o trabalho reconhecido na Europa

 


Cenário montado pelo artista itanheense

Elzo Bastos, artista plástico itanheense, está sentindo o gostinho do reconhecimento na Europa, em países como Portugal e Espanha. “Cheguei aqui em julho de 2006 já com proposta de trabalhar para uma empresa de construção de cenários para TV e publicidade. Ia trabalhar dentro daquilo que eu sabia, ou seja, a pintura”, disse o artista. Do contato com a madeira, Elzo descobriu que poderia ir mais longe, que poderia criar formas, esculpir e construir objetos mais complexos. Ou mesmo explorar outras matérias, como o papel. “Isso abriu mais portas, de maneira que eu poderia fazer aquilo que gosto, a pintura, participando de todas as etapas, da construção ao acabamento”, acrescentou. De Portugal, ele teve a chance de passar uma temporada em Madri, capital da Espanha, onde trabalhou num grande projeto de cenário para programas de TV. Lá, produziu peças exclusivas.


Elzo (1º da esq.), artista plástico de Itanhém, está fazendo história na Europa

De volta a Portugal, Elzo Bastos continuou se dedicando à escultura em madeira e à pintura. Antes de partir, seja morando em Itanhém ou Teixeira de Freitas, o artista já pintava quadros. O poeta A. Zarfeg, por exemplo, possui dois quadros pintados por Elzo. Seu livro de crônicas, “Rápidos & Diretos”, teve a capa feita pelo artista. João Grilo, considerado o mestre dos artistas plásticos itanheenses, influenciou inicialmente os trabalhos de Elzo. Quando chegou à Europa, Elzo já levava uma boa experiência como artista plástico e designer. Para se manter, ele faz peças para cenários de comerciais da TV portuguesa e de outros países da Europa. Trata-se de peças de vários tipos de madeira e formatos. “Para se ter uma ideia, fiz um cavalinho de pneu para um comercial da EDP (Energias de Portugal), que teve bastante repercussão. Para concluir o comercial, tivemos que percorrer alguns países para fazer a filmagem”, contou. Conciliando o trabalho com os cenários com sua arte, o artista plástico itanheense começou a sentir o gostinho do reconhecimento. Ultimamente, ele ficou entre os finalistas do Florence-Shanghai Prize, evento artístico organizado pela Present Contemporaryart, numa parceria entre as cidades de Florença e Shangai. O concurso, que julga e premia artistas de todo o mundo, envolve pintura, escultura, fotografia e instalações. Os finalistas são listados de acordo com a categoria e a pontuação obtida, em ordem decrescente. Para entrar na lista dos 15 finalistas, é preciso ter no mínimo 70 pontos do total de 100. “Eu fiquei sabendo do concurso quando visitei uma das galerias da Present Contemporaryart, durante uma passagem pela China”, disse Elzo, informando que o concurso é aberto a todo tipo de artista, amador ou profissional.


Cenário montado pelo artista itanheense

Na mais recente edição do concurso, o artista itanheense teve uma escultura sua classificada. Trata-se de uma peça medindo 80 cm de altura por 40 cm de largura e feita de material reciclado. Além da base de madeira, ela é toda feita de folhas de jornal, o que contrastou com as obras dos concorrentes, feitas de metais, como ferro, inox, níquel e bronze. “Para mim, essa escultura representa o quanto são frágeis os pilares do mundo, a política, a religião e os valores da sociedade. Carregada por um velho frágil, ela pode desmoronar a qualquer momento”, filosofou Elzo Bastos, itanheense que está escrevendo sua história no velho mundo.

Notícia Postada em 21/01/2013
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